terça-feira, julho 05, 2005

O Mini Sagres Contra-Ataca!

My choice is what I choose to do, and if I'm causing no harm it shouldn't bother you.
Your choice is who you choose to be, and if your causin' no harm then you're alright with me
!
- Ben Harper, Burn One Down

Eu tinha prometido, como tal, cá estou. O Cheech já aqui falou disto, e bem, mas agora é a minha vez. Tenho lido por aí muita merda, já o tinha dito. O PixaComXis anda – ou andava - numa de propaganda nazi ( parece que aquele rapazito alto, muito branco de olhos claros e louro, o verdadeiro ariano, anda sem ideias e com tempo livre a mais… ), fazendo post atrás de post de ideologia fascista, o que já deu guerra em forma de comentários e até já se alastrou a este tasco virtual. Tinha prometido uma resposta a esses bitaites, e espero que esta esteja á altura – se não estiver, mas se der pra chatear alguém, já serve!

Voltando ao cerne da questão, o que certas pessoas alegam nesses textos é que ( quase ) toda a criminalidade existente neste país se deve a imigrantes e, principalmente, a negros. Querem também fazer crer que todos nascemos com as mesmas oportunidades, independentemente do local onde nascemos, da educação que temos e de todas as outras condicionantes que nos levam a seguir um certo e determinado rumo na vida. Tudo isto, mais do que me deixar indignado, deixa-me intrigado. Principalmente porque os autores destas barbaridades são pessoas que conheço, bem formadas e inteligentes, com cursos superiores e essas merdas. Aqueles que, supostamente ( devido aos valores que lhes foram transmitidos, digo eu ), deveriam ser os primeiros a reconhecer certo tipo de coisas, que deveriam ser os primeiros a ser tolerantes para com os outros.

Aceito o racismo como um dos muitos males da sociedade, e contra esse preconceito acredito que faço a minha parte. Até aceito que amigos meus o sejam, porque, como crente na liberdade e na individualidade, respeito as ideias e os ideais de cada um, desde que não me tentem impingir nada. Não concordo com nada disto, mas aceito. Agora, imbecilidades não consigo aceitar! E dizer que todos os males de um determinado aspecto de uma sociedade se devem ás chamada minorias, sejam elas étnicas ou não, é uma imbecilidade astronómica. Um povo que passou a sua história a “dar o salto”, com milhares de exilados, pré e pós revolução e, pior, um povo usurpador ( sim, estou a falar dos “descobrimentos”, onde fomos meter o bedelho e chamar nosso ao que não nos pertencia ), a acusar quem vem de fora do que quer que seja é, simplesmente, ridículo. Todos temos o direito de procurar um local para viver melhor, e nós por cá já fazemos isso há muitos e muitos anos. E, eu pelo menos, ainda não ouvi nenhum dos novos residentes a chamar-nos de indígenas e a reclamaram o território nacional como sendo uma “colónia”!

É triste quando só se vê um lado da questão, mas é mais triste quando se defende o nacionalismo e a pátria e depois se passa o tempo a ir comer a restaurantes de cadeias norte-americanas ou a ir experimentar o novo Thai, a gastar dinheiro em discos e em filmes estrangeiros ( porque o produto nacional não presta ), quando se passam horas a ver telenovelas provenientes do outro lado do Atlântico, quando toda a roupa que se compra é de marca estrangeira, quando os cigarros são americanos ou ingleses, quando as férias são feitas no estrangeiro, privando a pátria amada de mais umas moedas, que bem falta lhe fazem. E comprar tralha no IKEA, gostam? Onde é que está o vosso nacionalismo, o vosso amor á pátria, nestas alturas? Sabem quanto evoluiu a educação com a introdução de material proveniente de outros países nos programas escolares? Vocês têm noção de quantas coisas, que são as vossas preferidas e que fazem parte do dia-a-dia de todos, não conheciam, nem teriam essa oportunidade, se a revolução de Abril não tivesse sido feita? Meus amigos, vocês não são patriotas ou nacionalistas, são tolinhos que utilizam esses termos quando vos é conveniente, de resto são consumidores em larga escala do que vem de fora, como todos nós – os simples mortais.

Depois vem a conversa dos assaltos e do famoso arrastão nas praias. Eu, sinceramente, não vejo grande diferença entre ser assaltado por um branco ou por um negro ( e já fui assaltado por negros e por brancos ), por um agarrado ou por um gajo que não quer trabalhar. É o princípio da coisa que está errado, e não a motivação que leva ao crime em si. E o arrastão? Tudo preocupado por ter ficado com menos um telemóvel e uns trocos, não é? Pois, não se devem é lembrar dos arrastões da década passada, aqueles que começavam no Príncipe Real e iam até ao Cais do Sodré, protagonizados por aqueles senhores simpáticos de cabeça rapada, e que tinham apenas uma regra – quem estivesse no trajecto e não fosse branco, levava forte e feio. Tão simples e bonito, não é?

E porque não falam vocês dos milhares de espertalhões, de colarinho branco, que durante anos enganam o estado, e fazem de nós, os contribuintes honestos e sérios, parvos, a fugir aos impostos, a criar empresas fictícias para lavar dinheiro e afins? Será que este exemplo não é válido, será que isto não é crime? Ou será que, por motivos de proximidade e conveniência, preferem não falar deste tipo de assunto? Como é que as pessoas podem ter uma memória tão curta? Como podem apenas pensar nelas mesmas? Quem vai á guerra dá e leva, o dito já é antigo, e nós, os portugas branquinhos, mais tarde ou mais cedo, tínhamos que começar a pagar por 500 anos a fazer merda! Eu sei que isto não justifica nada, e que pagam os justos pelos pecadores, mas… e não é sempre assim? Não foi e será sempre assim? Não é a responder do mesmo modo, através da força e da intolerância, que vamos conseguir chegar a algum lugar, bem pelo contrário!

Confesso que acho um piadão a certas pessoas dizerem que todos nascemos com as mesmas oportunidades, que só se depende da própria vontade, que têm amigos que nasceram aqui e ali, desta e daquela raça, e que hoje são isto e aquilo. Mas vocês estão a atirar areia aos olhos de quem? Se querem acreditar nas vossas próprias mentiras, para que tudo vos pareça mais bonitinho e cor-de-rosa e mais fácil de explicar, força nisso. Agora, passar atestados de estupidez ás outras pessoas não! Quando as condições económicas, sociais e culturais não são as mesmas para todos, não partimos todos em pé de igualdade, e não é preciso ter um curso para se entender isso! Por isso não me venham dizer que um gajo que nasce e cresce num bairro social, que passa uma infância e uma adolescência nas ruas sem ter quem lhe diga o que é certo e errado ( muitas vezes porque os pais são obrigados a ter dois empregos para pôr comida em casa ), e a estudar em escolas públicas ( onde 95% dos professores se estão a cagar para quem aprende ou não ), parte para a vida com as mesmas chances de um menino que tenha papás com nota, que estude em colégios privados, com um bom ambiente familiar, com tudo do bom e do melhor! Tenham paciência, mas ninguém pode ser assim tão cego ( e tão estúpido! ) ao ponto de dizer isso!

Também acho piada a uns meus que andaram por aí a defender quem trabalha, e o quanto custa trabalhar, para se poder ter uma vida digna e honesta. E acho piada, não por estes senhores serem pouco dignos ou pouco honestos mas, porque estamos a falar de malta que não faz puto na vida, ou se faz, começou a fazer há meia dúzia de dias - e o dinheiro que ganham é pra estourar, não pagam contas com ele! Falo de meninos que nasceram com o cuzinho virado para a lua, com casinha de férias á beira mar, a viver ás custas do patrocínio dos papás quando já tinham idade pra ter juízo, que estudaram nas melhores escolas e universidades ( daqueles que trocaram 30 vezes de curso e que demoraram 30 anos para os concluir, gastando desnecessariamente o dinheiro dos pobres contribuintes que agora defendem ), aqueles que nunca tiveram que trabalhar para terem dinheiro para irem prá neve ou para comprar um carro. Falo daqueles que não sabem do que falam, porque falar é fácil, principalmente quando tudo está ao nosso alcance através de um simples pedido ou birrinha. Esta malta vive numa realidade só deles, num mundinho á parte, onde as coisas más só acontecem nos noticiários, pois de dificuldades conhecem zero e lutar por alguma coisa, ou para ter alguma coisa, foi algo que nunca fizeram.

Não estou a falar de todos, nem para todos – neste caso, a quem a servir o chapéu… - não é difícil entender isso, acho eu. Também não estou a dizer que tive uma vida infeliz e cheia de dificuldades, e que por isso aponto um dedo invejoso aos mais afortunados, vocês sabem que não é nada disso – se não sabem, deviam saber. Mas se alguém se sentir incomodado, que diga de sua justiça, o espaço para comentários está aí para isso. Bom senso todos temos, é só saber utilizar. Se são tão inteligentes e pessoas de bem, como não conseguem ver e aceitar as diferenças e os diferentes? E se são assim tão superiores como apregoam, como conseguem descer ao nível daqueles que chamam animais e macacos, e pretendem retaliar na mesma moeda? É assim tão difícil entender que não é esse o caminho seguir?

Tou-me cagando para o facto de me irem continuar a chamar comuna, vermelho, anarca ou esquerda-caviar ( esta é a minha preferida! ), chamem o que quiserem! Vivo bem e tranquilamente, segundo os meus princípios e ideais, segundo os valores que me foram transmitidos na boa educação que tive, sabendo que a minha liberdade termina onde começa a do próximo, e com a certeza de que não ofendo nem piso ninguém para me sentir feliz ou para chegar onde quero. Pena é que nem todos consigam fazer as coisas deste modo.

Comments:
Esse post merece todo o apoio amigo..
www.blog.myspace.com/dianajonesandthevietnamwh
 
E quem escreve assim não é disléxico.

A parvalheira generalizada conheceu finalmente resposta à altura.

Subscrevo este post na sua totalidade.
 
;-) Estamos cá pra isto, para lhes fazer a cabeça em água!!! Abraços
 
Não costumo comentar aqui, já o sabes.

Mas não posso deixar de te mandar um abraço pela exposição de toda a matéria.

Se o "nobre povo" quiser embu/irrar, há-de ter por onde pegar: é um talento da estupidez é conseguir desencantar verdades e respostas onde existe apenas cretinice. E o "nobre povo" há-de achar que estás errado.

Pois eu não acho. Acho que estás todo certo. De uma ponta à outra. E não sou menos português, menos povo ou menos nobre do que o "nobre povo".
 
Ó pra mim a ficar vermelho entre a coba e as orelhas... :-)

Muchas gracias Chi, valeu mesmo!!!
 
é fantástico a quantidade de tiros ao lado ou no proprio pé que este rapaz atira. vamos por partes:
1- nunca disse TODA, mas sim que a pequena criminalidade se deve na sua grande maioria a rapazolas "negros", imigrantes ou não, e ultimamente brazucas. n venhas com historias, n é preciso ser sociólogo para saber que, qd se trata de PEQUENA CRIMINALIDADE (roubos, furtos, vandalismo, pequeno trafico de droguinhas, etc.)os actores são, na sua maioria, os mesmos -"negros" (adoro o eufemismo socialmente correcto...) isso mantenho, sublinho, reafirmo, o que queiras, e os factos estão aí para o demonstrar. só n vê quem não quer.
da mesma maneira que te digo que crime à séria (ainda...) não tem padrão racial.fazem pretos (n gosto da expressão negros, como não gosto da prostitutas- digo putas) brancos, e os outros todos.
2- a história do canudo é deliciosa: os meus paizinhos, e o curso que tirei incutiram-me um leque de valores que pelos vistos aqueles snrs. não aprenderam - n roubar, n estragar bens publicos, n ameaçar, etc. aos cavalheiros em causa, a "coisa" foi menos eficaz, por isso deu no que deu, e com isso n posso ser tolerante, portanto, se esses gajos n aprendem a "sociabilizar" a bem, aceitando as mais elementares regras de coabitação com os nossos semelhantes, resta lançar mão de meios coercivos, e ser implacaveis, sob pena disto qq dia ser uma america latina.
3- ao contrario dos pretos que vêm para cá já com a ideia de fazer merda, os tugas que emigram portam-se bem, integram-se e fazem a vida deles sem cenas. tal como os chineses cá, ou indianos, e muitos outreos que querem ganhar a vida. esses são precisos, temos falta de muitos (por exemplo, medicos do leste...).portanto, completo a tua premissa: têm direito de vir sim sr., se trouxerem mais-valias para cá. se vêm p'ra fazer merda, ou se vêm e n arranjam trabalho, e viver à custa dos outros numa especie de asilo economico-social, devem recolher à proveniência - n temos obrigação de sustentar indigentes estrangeiros.
3- n como mcdonald's ou kfc's ou thai's. n compro discos ou filmes tugas pq n gosto em geral do que fazemos cá. ikea nunca meti o cu lá. manuais escolares n recebemos de nenhum país do qual recebamos imigrantes (mas em compensação mandamos muitos para lá...), quanto mto vêem de países para os quais emigramos, porque aí é que se faz ciência, não é nos palop.
4- esta é demais. é o princio - assaltar- que está errado, não a motivação. meu caro, estão as duas erradas,sendo certo que a motivação antecede o principio. quero comer/quero botas nike de 200€ - n tenho guito - assalto. como mantenho que compreendo roubo por fome, mas n roubo por vaidade/perguiça, tb mantenho que quando esta é a motivação é bem pior que o acto.
5- o arrastão... esta está ao nivel do que a ana drago disse em entrevista, deves saber o que foi.agora a desculpa é a dos skin's???? esta parece q história do ovo e da galiha, quem começou a fazer merda 1º, se os pretos a roubarem pessoas, ou os skin's à biqueirada. quanto a mim, podiam matar-se uns aos outros que nenhuns deles faziam falta... arrastões sempre houve, n eram com aquela dimensão, mas quem andava de comboio entre sintra/cascais lisboa houvia falar neles. desculpar um erro com outro erro n é boa ideia.
6- e a do crime de colarinho branco será exclusivo de brancos ???? o boaventura sousa santos tem que descobrir este rapaz... a serio, justificar um crime com outros crimes anteriormente praticados n é boa ideia. o talião (olho por olho...)já n funciona em sociedades civilizadas. agora qual é a ligação disto com o q se discutiu???? os 500 anos??? os espanhois não têm centenas de peruanos a fazerem arrastões em marbelha, pois não??? e fizeram a merda que fizeram...
7- n se trata de pagar o justo p'lo pecador. aqui quem deve pagar é o autor, e não é com paninhos quentes. fez merda, paga o que fez, se for estrangeiro volta pa casa? qual é a duvida? tolerantes andamos nós a ser à 30 anos e deu no que deu.
8- a condição social do berço, a velha qustão da esquerda que tudo justifica... para teres a noção do quanto é errada essa ideia, lembra-te do zezé beleza, cujos irmão foram ministros e profs. universitários e ele é o trafulha que é. ou a contrária, no monte de gente que nasce e vive em covas da moura que ganham a vida honestamente, paredes meias com escória. eu estudei em liceus publicos, que n eram em zonas chiques (a menos que o barreiro seja chique agora...) e n ando a roubar pessoas. ptt, meu carro, isso é bullshit completo. e não pecisam que lhes digam que roubar n está certo, pq eles sabem, senão n fugiam qd são catados. até os animais sabem qd fazem merda...
9- o paragrafo seguinte nem comento, porque atirou longe, longe...
10- ainda bem que sabes que a tua liberdade acaba onde começa a dos outros. pensassem todos desta forma, era desnecessário termos estas discussões. e isso não é património ideologico-politico, mas apenas uma qustão de formação. quem não a tem, e n aceita modificar-se, e comportar-se devidamente, deve sofrer na pele as consequencias: punição devida e justa, e rejeição se necessário
 
Alguns pontos interessantes, Antónis.

Sou obrigado a discordar com a apreciação do terceiro parágrafo: os meus primos vivem na periferia de Paris e não há fim-de-semana em que os imigrantes também não arranjem merda. Como sabes, por lá o argelino também é sobejamente conhecido por não ser o mais nobre dos cidadãos. E olha para o tom da pele do homem. Perspectivas geográficas, meu caro. O latino é tão pre-disposto a fazer merda como o preto (além disso, quem um dia semeou ventos hoje colhe tempestado e isso verifica-se na revolta verificada nos EUA). Recomendo-te o visionamento d'"O ódio". Fazia-te bem.

Sim, skins cegos e pretos parasitas tudo no mesmo saco. O meu ódio recai sobre quem vive a foder os outros, mas o problema é a errónea associação constante ao tom de pele que pairou sobre o mediático arrastão. Aí está a raiz da discórdia. É com isso que não posso pactuar.
 
... eu também não quero pactuar com vendas nos olhos, associações de ideias simplistas e ignorância pura (o que não é, de todo, o teor deste pequeno texto):

"Dez de Junho, praia de Carcavelos. Muitos jovens juntam-se ao sol. Há tensão e insultos. Depois chegará a polícia. Às 20h, as televisões apresentam ao país "o arrastão", um crime massivo, centenas de assaltantes negros, em pleno Dia de Portugal.

O noticiário torna-se narrativa apaixonada de um país de insegurança e "gangs", terror e vigilância. A maré engole o desmentido policial da primeira versão dos incidentes e vários testemunhos sobre uma inventona.

"Era uma vez um arrastão" passa em revista um crime que nunca existiu, a atitude dos media perante uma história explosiva e as consequências políticas e sociais de uma notícia falsa. Antes que esta nova crise de pânico passe ao arquivo morto, é necessário inscrevê-la na história da manipulação de massas em Portugal"

Texto presente no sítio electrónico da Videoteca Municipal de Lisboa.
 
Ah, aquele texto é a introdução a um debate, dedicado ao tema, realizado na Videoteca Municipal, tendo por base um trabalho da jornalista Diana Andringa (não vale as tais associações fáceis: eu sei que ela é uma independente que concorreu nas legislativas pelo BE).

Já agora Antónis, permite-me apenas um reparo:
- "ao contrario dos pretos que vêm para cá já com a ideia de fazer merda..." - os pretos que tu falas não "vieram para cá", estão desde sempre. No entanto, e esta podia ser uma dica para começar uma discussão séria sobre o tema, tu sabes que o Estado não concede nacionalidade portuguesa - mesmo tendo nascido cá - aos filhos de imigrantes. É verdade, a discriminação (e a nacionalidade é fundamental, como sabes, para garantir emprego, acesso em pé de igualdade ao sistema educativo, e por aí fora) começa na barriga da mãe...
 
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