segunda-feira, janeiro 24, 2005

The Judge and the Pitbull

Ir ás cegas para um concerto é algo que raramente faço, não apenas por não gostar de brincar com o meu reduzido saldo financeiro, mas também porque não encaro um concerto como uma mera diversão, como um circo – para isso tenho os jogos do Benfica e essa inesgotável fonte de cenas hilariantes, o Paulo Portas. Concerto, para mim, é igual a missa para os católicos! Desta vez não vou explorar a vertente road trip da coisa, ninguém precisa de saber que foi a primeira vez que levei o carro para o coração da capital, e muito menos que quase ia sendo assassinado por uma otária dentro de um tanque de guerra, que deve ter tirado a carta numa pista de carros-de-choque. Vamos ao que interessa, o meu primeiro evento cultural de 2005.

Tinha uma ideia daquilo que me esperava, porque qualquer pessoa que tenha visto filmes do Kusturica, consegue imaginar o ambiente que vai encontrar num concerto da No Smoking Orchestra.Coliseu em altas, casa cheia, público entre os 16 e os 60 anos, desde o freak Chapitô á tia de Cascais, mas essencialmente cheio de gente bonita ( descontando os pseudo-intelectuais-de-esquerda, daquelas fornadas made in Nova, que insistem naquele visual típico de operário fabril dos anos 60/poeta desempregado), e toda essa gente com o mesmo espírito –Festa! Em poucos concertos que vi anteriormente ( e já lá vão uns quantos nestes ultimos 13 anos...), quase todos protagonizados por intervenientes com menos 10/15 anos que estes senhores, consegui encontrar tanta energia e boa onda, naquilo que foi um misto, entre musica popular sérvia e punk rock (definição dada por Dr. Nele, o vocalista, ao abrir as hostilidades).

Algumas dificuldades técnicas limitaram a minha compreensão de certas partes do concerto, mais especificamente no que diz respeito á letra das canções ( o inglês de Dr. Nele não era o mais explícito, e o meu sérvio anda um pouco enferrujado...), mas, se existem mensagens que se conseguem transmitir unicamente através da música e do chamado feeling, este caso foi disso um exemplo perfeito. Uma secção rítmica coesa e sem falhas ( apesar da banda não poder contar com o seu baterista, Kusturica Jr ficou de fora por lesão), tuba, saxofone e acordeão idem aspas, e um guitarra rítmo muito competente (dono de uma Strat decorada com luzes, que deu um arzinho de feira popular ao concerto), foram sempre uma máquina rotinada e bem oleada, formando, invariávelmente, uma base seguríssima para as aventuras a solo da guitarra de Kusturica ou para o violino do The Judge.

Além da presença de Kusturica (sejamos honestos – o Coliseu encheu porque o realizador/guitarrista pertence á banda), e do fabulouso frontman, destaco ainda o seguinte: o super-violinista, The Judge, e, como ponto alto do concerto ( momento que não é, de todo, difícil de adivinhar ), directamente da banda sonora de Gato Preto, Gato Branco, a afamada Pitbull Terrier – pois malta, aquilo ao vivo abanou as fundações da sala, com um refrão fortalecido por um poderoso strob, distorção metaleira e cantado a uma só voz! Quanto ao homem da noite, The Judge, tocou o seu violino com uma palheta, com os dedos, prendeu o arco no sapato, na boca, utilizou um arco com uns bons dois metros, trocou de roupa enquanto tocava, fez segunda voz... enfim, foi um espetáculo dentro do próprio espetáculo. Se o assunto fosse futebol, ele era o camisa 10!

Sempre com muita gente extra banda em palco ( 98% eram meninas, das quais 80% eram, como diria um grande amigo, pito de qualidade), pequenas encenações em algumas das músicas, várias visitas as bancadas efectuadas por Dr. Nele, e aquele contagiante som, transformaram a noite fria de dia 17 numa quente e alegre comemoração. A vida é um milagre? Não sei, mas sei que devia ser sempre como aquelas duas horas da passada segunda feira – em altas!

Comments:
Muito bem maior! Mas onde é que está o post de bola de referente a esta jornada maior??
 
Pois só me restou a dúvida se o meu amigo gostou mais dos 80% das meninas que estavam no palco se da música em si. Em si, nela - claro! :)
 
Epá, pergunta difícil... Acho que valeu por tudo, afinal o concerto aliou as duas coisas de que mais gosto - música e miudas giras! ;-)
 
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